Era uma coisinha de pernas finas e rosto corado.
Quando todos aqueles homens e mulheres a encontraram na velha casa dos Casgatori, estava encharcada de vinho e de lágrimas. Os policiais não perceberam os apêndices incrustados no teto da sala de jantar; a luz estava propositalmente baixa, suficiente para que não encontrassem de imediato o torso dentro do belo aquário na sala de estar, nem mesmo com o odor nauseabundo vindo das instalações abaixo da grande construção.
A garota, depois de muitas horas em silêncio, já resguardada na delegacia, deixou escapar seu nome: Dáliah. “Mamãe disse que o ‘h’ é para me destacar das outras flores.”
A equipe forense chegaria apenas pela manhã, e a ordem era não mexer em nada até lá. Mas as coisas que aquelas paredes viram jamais poderiam ser contadas por língua mortal.
As vozes abafadas pelas finas paredes que separavam os escritórios da grande delegacia, com suas janelas propositalmente embaçadas e seus velhos sofás de couro preto gasto... Em um desses cantos, como num jogo de esconder, estava uma criança de não mais que 12 anos. Algumas policiais que conversaram com ela fizeram o possível para acalmá-la e pô-la para dormir. Era um caso problemático, pois apenas ela fora encontrada viva no local.
“O erro dentro do erro” foi como passaram a chamar o caso. Nada fazia sentido, e qualquer que fosse a história, deslizava entre os dedos como o tempo em uma ampulheta, contando seus grãos de areia que se perdiam na roda da fortuna.
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